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Imagem das gravações de Deus e o Diabo na Terra do Sol.

[Um p&b cinzento, brindando a estética miserere nóbis, essa da tríade: Jagunçagem — Messianismo — Seca. Aglutino Sertânia, filme de Geraldo Sarno em exibição no Sesc Digital. Lá, sensação de deja vu, como em Luneta do Tempo de Geraldo Azevedo ou a versão Global de Morte e Vida Severina — mas — com a pitada de sagacidade experimental de Sarno . É fato que há um gênero estabelecido, assim como o western note-americano e aqui não julgaremos linguagens e estéticas, mas a possibilidade de extinguir generalizações]

[Quem inventou o Nordeste? Respondo em tom óbvio: Juliette. Ela pois, estava na escritura…


Print de tela.

[Salvador — rogai sentido ao senhor

Feira de Santana — pela lógica modus banana

Vitória da Conquista — pela míope vista

Camaçari — da crise nostrum do AQUI.

Juazeiro — do pódio primeiro

Itabuna — numa terra una

Lauro de Freitas — a espreitas

Ilhéus — sobrevoando os céus

Teixeira de Freitas — das panelas, confrarias, seitas

Jequié — Digo: você não é

Barreiras — não são meras besteiras

Alagoinhas — rinhas

Porto Seguro — urro

Simões Filho — gatilho

Paulo Afonso — sabemos, não se é sonso

Santo Antônio de Jesus — não é sobre avelãs e avestruz

Valença…


Print de tela

[Digo: por-demais-pedagógico — e por aí valsará esse ensaio. Entenda, não me coloco no julgo dos estetas que acreditam no lá e cá, numa separação daquilo que é arte e daquilo que é pedagógico, num gap desmedido entre uma coisa e outra coisa ou uma estratificação burra, nada inocente. Acredito, como em Freire na força que um quintal exerce sobre a ponta do lápis e, inda nele, na força do encontro do mundo com a palavra]

[Digo: por-demais-pedagógico e poderia ser visto num especial da TVE, Cultura, Canal Brasil ou desses canais que lançam por-demais-pedagogia. Primórdio factual, num tempo-instante em…


Print de tela

[A classe teatral soteropolitana beira um plágio do Complexo de Édipo. Ora pois, os mesmos olhos que piscam faróis sobre a Nossa Senhora dos Miseráveis, são os mesmos, furados e sangrentos, na noite do tapete, por pleonasmo, vermelho. Para quê? Me pergunto: Para que falar as boas velhas novas, se o vinil já é tão blasé pra arranhar o mesmo evangelho? Se todo este será só mais um, do também antiquado Facebook. Ainda penso: pra que usar poesia e vomitar palavras de esse ceticismo anual, nesse genocídio, nessa punheta frenética e ansiosa? …


Foto de Eduardo Knapp / Folhapress

[Se houve o tempo em uma Nação moralista e cristã que se ouvia a voz do demônio ao escutar o disco da Xuxa ao contrário, qual voz é escutada no Hino ao contrário de uma Nação moralista e cristã que aparenta Show da Xuxa?]

[Nunca procrastinei tanto a escrita de uma crítica como essa em que vos escrevo e só hoje, dois dias após a centelha do desejo de escrita, essa que se inicia numa vista afogueada como colírio de dilatar pupila e expande entre os chakras como refluxo, consigo, somente e só, jorrar os caldos do estado. Foram dois…


[Tenho acompanhado a programação online do Sesc SP, numa diversa ciranda entre teatro, música e ideias. Por algum motivo, ou talvez pelo nosso costume natural de olhar-de-dentro vivendo o processo acomodado e receptivo e, vez em quando, exportar o olhar pra ativar epifanias e dizer-se científico, só hoje me deparei atentamente com um evento, ou seria um acidente, na mais positiva semântica: a mediação em tempo real]

[Inicialmente, preciso falar da gênese dos processos de mediação cultural: O território/A arquitetura. Historicamente, falando Brasil, durante muito tempo o teatro serviu de ferramenta e manutenção dos processos hegemônicos e colonizadores. O teatro…


Foto de Lenise Pinheiro

[Tom Zé me põe numa incógnita tão escorregadia quando ele fica fuça-a-fuça com a solidão e diz: “olha, a casa é sua”. Me indago, pois por um lado vejo a formalização de um convite, numa tentativa de ainda se afirmar dono de si, da casa e talvez sentir-se patrão, feroz, maior, capaz de subalternizar a solidão, usá-la e expurgá-la, fazê-la criatura, como um tibetano. Pela outra cara, um eu lírico que desiste da propriedade, pois sabe que a solidão é o encosto, parasitóide, e resolve desquitar dos títulos e fazê-la proprietária, tornando ele, o subalterno da solidão. Duas ocasiões antônimas…


Foto de Isabela Bugmann

[Não diria que Osório veste-se niilista. Diria nudista. A nudez é alçapão e alavanca do seu fazer artístico. Estar nu, ou desnudar os limites, acionar outros campos de visão, outros toques/outras zonas, mostrar o suor do poro pelo lado inverso]

[Assisto Edital, espetáculo de Fábio Osório online, e involuntariamente faço contrapontos e conectivos com seu mais último espetáculo, visto por mim no Goeth Institut em Salvador: Bola de Fogo. Pensei como estruturar essa escrita pra falar duma reinvenção, ou duma pessoa que se reinventa. Decidi que usaria, então, num frêmito, a mesma estratégia criativa de Osório: O Backstage autobiográfico. Repente…


[ 1 — O expurgo em Teuda Bara ]

[Possivelmente, a cena mais forte, para quem conhece o grupo de perto, e pros de longe em mesma dor. Teuda Bara é expulsa do Grupo Galpão, pelos seus (ex)parceiros a empurrões. Mesmo ela sendo parte da história fundamental do grupo, mesmo sendo uma das fundadoras, não exitam contar até 30 para que seja escorraçada e jogada numa vala. Não sou o mor ou o Kant que vai definir se é a arte mimésis da vida, mas os símbolos andam no mesmo calçadão sombrio da pátria. A história do Brasil é a…


Foto de Rhuan Cavalcante

[Repente, não mais nos falamos tete-a-tete, o abraço tá a cinquenta e sete passos de distância e o olho mira míope.

Agora sem poder sair, eu fico olhando pra parede branca da minha casa e imaginando qual cor avivá-la, fico entre o Bordô, a Turquesa, o Neon. Rabisco ela com a criança que aluga meu corpo desde que saí da infância, mas sem o giz, com a lânguida caneta Bic do escritório. Agora sem poder sair eu escuto o silêncio do vizinho da direita, a transa do vizinho da esquerda. Escuto o movimento peristáltico. Eu vejo as moscas brincarem de…

Zé Marat

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